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FRATER ESPAÇO BIOCÊNTRICO

 A AVENTURA   DO   AUTOCONHECIMENTO

Seta: para a Esquerda: voltar para a revista
A Essência da Peregrinação
    O Caminho da Humanidade

             7 de setembro de 2011 iniciaram uma incrível aventura 32 pessoas de diferentes nações pelos caminhos que levam a Santiago de Compostela; um percurso, dentre tantos, chamado de Francês. Da cidade de Burgos até Santiago de Compostela são cerca de 500 km.

             Mas o que leva a tantas pessoas a fazer centenas de quilômetros a pé, com uma pequena mochila nas costas? Esta é uma boa pergunta. Após cinco Caminhos realizados desde 2003, aprendemos que viajar a pé não é como fazer um passeio de domingo no parque.

             Viajar a pé vicia. São muitas as pessoas que depois da primeira viagem a pé querem repetir a experiência. Muitas reflexões emergem do que pode motivar alguém a fazer - em um mês - o percurso que poderia fazer em algumas horas de carro ou em alguns minutos de avião.

Caixa de Texto: Fotos de Marco Guimarães e Myrthes Gonzalez

A totalidade das fotos desta viagem está no Facebook de Myrthes Gonzalez. Entre e peça para ser amigo. Será um prazer receber sua visita nos DOIS álbuns Caminho de Santiago!

             Quando viajamos a pé descobrimos que temos sabor. Nosso tempero é o sal que se mistura com a poeira das estradas de chão. Roupas limpinhas deixam de ter importância após uma hora de caminhada. Na mochila, para longos percursos, somente o essencial. Nas longas travessias o corpo somente é capaz carregar um décimo de seu peso – mais que isso nos atrasa, maltrata, prende. O viajante, que chamamos peregrino, aprende a viver com muito pouco. E mais... Descobre que é necessário muito pouco para ser feliz.

             O peregrino vive a religião em sua essência: religare. Por que é um processo de reconexão em um nível que transcende as religiões constituídas. Quem caminha ousa e é impelido – por uma questão de sobrevivência – a descobrir seu próprio ritmo orgânico. Descobre que está vívido – cheio de vida – e conta com algo fantástico para guiar o caminho: seus sentidos, que ao longo do percurso vão se “desatrofiando” e gerando experiências perceptivas fantásticas, fruto das substancias e endorfinas que o próprio organismo produz. Drogas endógenas que alteram nosso estado de (in)consciência.

             É a sensação Entheogen: ter Deus dentro.

             O corpo pesado e doído dos dias iniciais vai dando lugar ao fagueiro e potente ao longo do percurso. O sono vem ao final do dia e quando as primeiras luzes retornam pela manhã a sensação de estar vivo nos arremete novamente para estrada. Uma cama simples, uma boa refeição e um banho bastam para o peregrino sentir que o universo provê e é bom. Ele descobre que, com o paciente pisar de um pé após outro se conhece o mundo – exterior e interior.

             É como se os registros imemoriais, gravados nas células dos nômades homo-sapiens se reativassem, trazendo a mensagem neuroendócrina da nossa essência: caminhar pelo mundo. Quem faz sua primeira viagem a pé por muitas vezes deseja repetir, porque percebe a oportunidade de “sair da civilização” e voltar ao mundo, resgatando a própria dimensão de humanidade.

Marco Guimarães e Myrthes Gonzalez.

Duas semanas após fazer o Camino de Santiago de Compostela, conduzindo um grupo de 30 peregrinos.

 

© Frater Espaço Biocêntrico. Não reproduzir ou copia r sem expressa autorização.

Entheogen - Photo by Marco Guimaraes - frater.com.br

Religare - Photo by Marco Guimaraes - frater.com.br

O que nos faz viver em câmera lenta uma realidade que veríamos como flashes?

             Em nosso cotidiano jamais experimentamos os efeitos de um ritmo constante de caminhadas de mais de 20 quilômetros por dia – durante varias semanas. Quando temos a chance de vivenciar estes efeitos é como se saíssemos de um entorpecimento. A vida nos grandes centros urbanos vai se tornando cada vez menos corpórea. Deslocamo-nos pequenas distâncias sempre de carro. Deixamos as tarefas braçais para trás ou as “terceirizamos”. Vemos as rotinas que nos exigem fisicamente como coisas menores – pouco produtivas. Ganhar (e fazer) o pão com o autentico suor do próprio rosto soa como uma punição.

Photo by Marco Guimaraes - frater.com.br

Photo by Marco Guimaraes - frater.com.br

Photo by Marco Guimaraes - frater.com.br

Photo by Marco Guimaraes - frater.com.br